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As Árvores Sagradas dos Celtas


Todas as árvores são sagradas, assim como tudo que tem vida , mas os "celtas" (me refiro às tribos denominadas 'celtas' das Ilhas Britânicas, da Península Ibérica e da Bretanha, na França), acreditavam que algumas árvores eram "particularmente sagradas", assim sendo, prestavam cultos e tinham veneração por algumas de forma especial. Postarei aqui a respeito de algumas destas árvores em questão, que são conhecidas aqui no Brasil e em Portugal.

 Salgueiro



 Comecemos pelo lendário "Chorão", embora a espécie não se resuma unicamente no salgueiro chorão" ( lembremos do famoso "salgueiro lutador" que também é uma Salix) tão famoso e mitológico. É uma árvore que tem forte ligações com as bruxas, inclusive, acredita-se que palavra "Witch" seja derivada de "Willow" (salgueiro em inglês). Ela está ligada à Lua e a Água e a outros aspectos femininos. Segundo conta-se, os celtas veneravam o salgueiro de modo muito peculiar e nutriam por ele uma grande fascinação. Para eles, esta árvore era considerada uma grande fonte de inspiração de sonhos, de poesia, de música e de encantamentos. De acordo com Robert Graves em seu livro "A Deusa Branca", na Irlanda, o salgueiro toma o seu lugar como uma das "sete árvores sagradas do bosque da Irlanda" - ao lado da bétula, da maçieira, do amieiro, do azevinho, da aveleira e do carvalho. Algumas árvores no Brasil são normalmente confundidas com o salgueiro, como a 'Aroeira pendente' e a 'Escova-de-garrafa'. 

Sabugueiro



Há muitos mitos que cercam o , uma é uma árvore que também é bastante associada às bruxas, de modo especial, às bruxas velhas ou à Deusa em seu aspecto anciã. É provável que na antiga Europa, os sabugueiros eram plantados nas frentes das casas e serviam como proteção, para impedir a entrada do mal naquele local e e também próximo às tumbas nos cemitérios, para protegerem os mortos. Há também a lenda pós-cristã de que fora da madeira de um Sabugueiro que foi feita a cruz do calvário de Cristo, por este motivo dava azar cortar um sabugueiro. Esta é realmente uma grande lenda pois um sabugueiro, como arbusto, não daria madeira suficiente para uma cruz. Sua casca é famosa por suas propriedades terapêuticas e suas flores ainda usadas para tratar a catapora. 

Hera



Embora não seja uma árvore e sim uma trepadeira, há séculos é considerada uma planta mística e é comum vermos imagens de casas de fadas e gnomos recobertos por heras. A hedera é mais comum no sul e sudeste do Brasil, sendo bastante utilizada como planta ornamental e é comumente encontrada em jardins para cobrir muros ou utilizada como forração em locais sombreados. Coroas de hera eram confeccionadas nas festividades com o intuito de atrair as fadas e os espíritos da natureza e até hoje preserva-se este costume. Alguns estudiosos do druidismo dizem que os antigos druidas a consideravam a contraparte feminina do azevinho (masculino) e quando colocados juntos - crescendo ou decorando, davam grande proteção, equilíbrio e sabedoria.

Azevinho



É normalmente representado em imagens natalinas por se tratar de uma das poucas plantas que persistem ao inverno rigoroso do hemisfério norte. Nativo das Ilhas Britânicas, é associado aos guerreiros que, de acordo com o que conta, faziam as hastes de suas lanças com madeira de azevinho. Há uma lenda celtas que diz que o azevinho era um dos reis das florestas. Ele reinava juntamente com "seu irmão", o rei carvalho, e partilhavam o mesmo trono, porém, cada um reinava a metade de um ciclo anual. No Brasil, infelizmente, não é muito comum. Serviriam como excelentes cercas vivas se seu crescimento não fosse extremamente lento. Suas folhas são pontiagudas e extremamente cortantes. A palavra "Hollywood" significa "Bosque" ou "Floresta de azevinhos" . Dizem que é porque o local era repleto de arbustos de azevinhos antes de ser tornar um dos maiores centros cinematográficos do mundo.

Carvalho



Conhecido como "O Rei das Florestas", é muito raro no Brasil. Alguns poucos são, normalmente, encontrado no sul, em locais onde colônias europeias se estabilizaram. Alguns imigrantes trouxeram com eles bolotas que foram plantadas e germinaram. Mas já existe hoje por aqui, certos carvalhos - com mais de cinquenta anos - que já produzem sementes capazes de gerar novas mudas. Uma hipótese é de que a palavra "Duir" queira dizer "Porta" e, como árvore sagrada, o carvalho facilitava a passagem para o mundo espiritual. Por este motivo, nos bosques de carvalhos, os antigos celtas costumavam realizar seus rituais. Dizem que própria palavra "Druida" tem como tradução "aquele que tem o conhecimento do Carvalho" Os Carvalhos podem alcançar facilmente os 500 anos. Há um antigo provérbio que diz: O carvalho leva 300 anos a crescer, 300 anos a manter-se adulto e 300 anos a morrer....

Macieira



Na lenda do Rei Arthur, a Ilha de Avalon é conhecida como "A Ilha das Macieiras". A árvore foi associada ao pecado bíblico e a maçã foi considerada, no cristianismo, como o fruto da maldição. É possível que esta relação seja devido ao fruto estar ligado ao feminino e a fertilidade, de acordo com as lendas, correlacionando ambos com "Eva" e o "Sexo". Especula-se que o fruto proibido, citado do "Gênese", tratava-se do "figo" , ou alguma espécie de "banana", e não de uma maçã. Foi a partir da idade média que a maçã tomou o lugar de "fruto proibido", quando a mulher passou a ser vista como a principal culpada pelo pecado original e a expulsão do ser humano do paraíso. A maçã quando cortada ao meio adquire o aspecto de uma vulva. É comum para alguns pagãos, nas cerimônias do Samhain, tomar a cidra de maçã para auxiliar nas viagens astrais e para abrir-se às visões. Conta-se que esta era uma antiga tradição celta.

Teixo



O Teixo é uma árvore que sempre teve forte conexão com morte e também com a imortalidade. Considerada sagrada, principalmente na Grã-Bretanha e na Irlanda. Segundo algumas narrativas, os antigos celtas consideravam a sua madeira a melhor para se esculpir, por sua durabilidade e elasticidade. Acreditam, inclusive, que uma estaca de teixo duraria mais do uma de ferro. No verão, o teixo solta um vapor que os antigos acreditavam que, quando inalado, induzia a pessoa um sono profundo e às visões proféticas (isto é comprovado). Na Bretanha e na Irlanda são muito comuns nos cemitérios e há a lenda de que eles aprofundam suas raízes até a boca dos cadáveres. Não raramente assistimos a filmes onde raízes e galhos de árvores atravessam corpos. Esta inspiração vem deste antiga crença. Os teixos são comuns em Portugal e dele deriva o sobrenome "Teixeira", que significa "lugar onde há muitos teixos". No Brasil, embora raro, é conhecido como Pinheiro-europeu e pode adquirir diversos formatos, desde de o de um pequeno arbusto, até uma frondosa árvore.

Aveleira



A aveleira aparece em diversas lendas celtas. Dizem que os druidas carregavam um cajado de aveleira, e isto representava, para eles, um sinal de grande autoridade. As varinhas de aveleira eram e são até hoje uma das favoritas para os rituais mágicos, pois sua madeira é considerada protetora e poderosa. Seu fruto, a avelã, simboliza a sabedoria concentrada. No livro "Brumas de Avalon", Igraine, mãe do rei Arthur, prende um ramo de aveleira na testa para que pudesse ter a visão de onde se encontrava sua irmã Viviane que não vira há muito tempo. A árvore não é comum aqui no país, mas é comum no vizinho Chile, onde o clima é mais apropriado. O fruto importado é bastante conhecido e muito apreciado nos mais variados doces.

Pinheiro




Há algumas controvérsias quanto ao Pinheiro que era venerado pelos antigos povos celtas, mas, tanto um quanto o outro, são de grande importância, e estão repletos de lendas. Há aqueles que dizem que era Pinheiro Silvestre (Scots Pine - quase em extinção na Europa), enquanto há outros que afirmam que se tratava do Pinheiro Prateado. Este segundo é comum por aqui, sendo mais conhecido como Abeto. Desde a antiguidade é uma árvore associada ao nascimento. Por este motivo, houve também a conexão do pinheiro ao Natal e ao nascimento do Cristo. O Pinheiro também era considerada por alguns povos a "árvore da vida", por estar sempre verde mesmo sob um rigoroso inverno de gelo. Está ligado à força, à esperança e à paciência. Daí vem a tradição de cortar um Pinheiro, traze-lo para dentro de casa, e enfeita-lo. Ele trazia a esperança de que a verde e colorida primavera logo chegaria, e o duro e branco inverno logo passaria.

Álamo



O que mais chama atenção no Álamo, ou Choupo, é a maneira como suas folhas balançam mesmo na mais suave brisa. Um dos mais conhecidos é o gênero "Populus Tremula". Ele possui este nome porque suas folhas tremem mesmo quando não parece haver vendo ou brisa alguma para isto. Dizem que os celtas acreditavam que era possível ouvir o que os ventos diziam através das folhas dos álamos, eles traziam mensagens e profecias. Acredita-se que sua madeira era a preferida na confecção de escudos, pois também protegeria os guerreiros das mortes em batalhas. Assim como o salgueiro (ambos são da mesma família), ele tem propriedade curativa, anti-inflamatória e analgésica. Da mesma forma que o teixo, o álamo também está associado ao mundo subterrâneo. Ambos têm raízes invasivas que podem se tornar muito profundas, daí a relação de ambos com o submundo.

Sorveira




No Brasil ela é conhecida como 'Sorva' e é exatamente da mesma família da "Sorveira-brava" (Sorbus aucuparia), venerada pelos antigos celtas, só que a espécie encontrada aqui é a Sorbus domestica. Eram feitos incensos com suas folhas e frutos e, com a casca, compressas para curar feridas. Fervendo suas frutas, produzia-se um excelente liquido para gargarejo que era muito utilizado para tratar afecções na garganta. Segundo alguns estudiosos, os celtas a tinham como uma árvore de proteção e era usada para quebrar encantamentos. De acordo com Robert Graves, os antigos irlandeses acendiam fogueiras com galhos de sorva e pronunciavam conjurações diante delas em diversos de seus ritos mágicos. Alguns povos daneses (dinamarqueses), cravavam uma vara de sorveira em cadáveres, eles acreditavam que assim podiam imobilizar seus fantasmas. O que mostra a ligação da árvore à proteção e à magia, além de ser uma das principais espécies utilizadas para afastar e quebrantar males diversos.

Amoreira Silvestre




Ao contrário da amoreira comum aqui dos trópicos, do gênero "Morus", a amoreira silvestre, ou amora-sarça (amoreira-sarça ou amoreira-brava), pertence a um outro tipo de gênero, que é o "Rubus". São muito parecidas, com frutos semelhantes no aspecto e no gosto, porém, as amoreiras silvestres possuem espinhos, além de serem arbustivas, possuem pequenos espinhos e em grande quantidade. O ogham "Muin" podia designar tanto a amoreira silvestre como a videira, contudo, a videira não é uma espécie nativa das Ilhas Britânicas, mas tinha forte presença em regiões do continente, principalmente em Portugal, Espanha e França, onde o cultivo da vinha é mais comum. Tanto a videira, como a amoreira, compartilham muitas semelhanças, principalmente quando se trata na fabricação do vinho que era tão apreciado pelos antigos povos celtas.

Giesta



Trata-se de um arbusto de flores douradas, bastante raro aqui. Ela é conhecida também como: "Vassoura de Bruxa". De acordo com 'Graves', o ogham que corresponde a esta espécie é o "ONN" e ele pode designar tanto a Giesta, como o Tojo (muito parecido com a giesta porém com muitos espinhos). Há alguns estudiosos que dizem também representar o Junco. O nome científico da Giesta é 'Spartium junceum', de um gênero botânico que designa diversas plantas produtoras de fibras têxteis.
O Junco, embora de família diferente, também é uma planta produtora de fibras, inclusive, em tempos atuais muito utilizado na indústria mobeleira em móveis para ambientes externos. Os antigos celtas diziam que a planta tinha o poder de quebrar feitiços e até hoje, no Pais de Gales, esta crença ainda existe.

Betula



Famosa pelo seu magnífico tronco, a Betula pendula, era uma das mais utilizadas nas práticas mágicas. Ela marca o início, por isso, o calendário celta das árvores ( de Robert Graves) se inicia com a bétula. Era uma tradição a confecção de berços utilizando sua madeira, acreditava-se que assim as crianças estariam protegidas, já que se tratava de uma árvore mágica e poderosa que quebrava diversos feitiços. As vassouras eram feitas com cerdas de bétula e, ao varrerem as casas, acreditavam que estavam limpando o local das más energias e dos maus espíritos. Eram utilizadas também como cobertura nos telhados. Muitos dos povos antigos a chamavam de "Deusa Árvore", ou, "Senhora dos Bosques". A casca fina, que se desprende facilmente da árvore, tem diversos usos e talvez seja por isso que ela esteja ligada à transformação pois seu tronco está em constante renovação. Com as cascas, eram feitos diversos medicamentos e óleos curativos e, até hoje, quase todas as partes da árvore são utilizada na indústria farmacêutica e fitoterápica.

Amieiro



O amieiro era bastante utilizado pelos antigos celtas na fabricação de barcos. Quando entra em contato com a água, sua madeira se torna escura e muito rija, sendo assim, sua resistência ao apodrecimento fazia dela a preferida não somente na fabricação das embarcações mas também em pontes e alicerces em áreas úmidas. A árvore também era utilizada no tingimento de tecidos: marrom (vindo dos galhos), vermelho (da casca) e o verde (das flores). Sua seiva, quando exposta por algum abatimento, de branca torna-se vermelha. Diziam então que o amieiro era encantado e que podia jorrar sangue e que esta seiva era, por vezes, utilizadas pelos heróis para pintarem seus corpos antes de irem para as guerras, pois acreditavam que o sangue do amieiro lhes traria proteção e vitória nas lutas. Com sua casca eram tratadas inflamações, reumatismos e diarreias. Gargarejos, feitos de folhas e cascas, auxiliavam na cura de feridas na boca e inflamações nas amídalas.

Pilriteiro



Também chamado de Espinheiro-branco, estava relacionado à proteção, tanto psíquica como espiritual. Era uma árvore comumente encontrada próxima a poços sagrados onde formavam verdadeiras sebes. Diziam que as fadas habitavam nessas sebes entre os fechados arbustos de Pilriteiro. Era uma árvore bastante respeitada e também bastante temida. Ela estava relacionada ao lado indomado e, algumas vezes, era considerada uma árvore de azar que não podia ser cortada. Também pelo fato de serem os lares das fadas, cortar um espinheiro podia trazer a ira dos seres encantados à toda a comunidade. No poema "A batalha das árvores", ele é chamado de "o desamado", porém, sua sacracidade para os povos antigos sempre foi inquestionável. Aqui no Brasil ele conhecido como Crataegus.

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